A Campanha da Azeitona 2016 começou no Esporão

 

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A pouco mais de 170 km a sudeste de Lisboa, junto à histórica cidade de Reguengos de Monsaraz, localiza-se as vinhas e olivais da Herdade do Esporão.

Importante produtora de vinhos do Alentejo desde a década de 1980, foi apenas em 1997, com a aquisição da SPAZA (Sociedade Produtora de Azeites do Alentejo), que entrou “com tudo” no mercado de azeites.

Desde então,  a Esporão Azeites desponta como uma das maiores (e mais premiadas) produtoras de azeite de Portugal, sendo referência nacional e internacional no setor.

A Campanha da Azeitona

No final de outubro começou em Portugal a Campanha da Azeitona 2016. No Alentejo, neste ano, prevê-se uma safra difícil, com baixas produções, resultado de um Inverno ameno, noites muito frias no final de Fevereiro e um Verão muito quente e seco.

No Esporão, a grande novidade deste ano é o lagar próprio, após quase 20 anos de planos e projetos. O lagar é o local onde é feita a extração, limpeza e filtragem das azeitonas. Com o lagar na propriedade será possível uma maior celeridade em todo o processo de decisão e seleção das azeitonas, além de maior preservação dos aromas e de suas melhores características, como o frescor.

“O lagar foi produzindo para o Esporão produzir melhores azeites a partir do que a natureza nos dá. Iniciamos, com esta campanha, um novo ciclo no Esporão”, comemora Ana Carrilho, oleóloga do Esporão e responsável pela produção dos azeites.

No novo lagar, com capacidade para mil litros (e podendo atingir até 2 mil litros, se necessário) as azeitonas terão tratamento especial: serão separadas e processadas em lotes menores, aumentando assim a flexibilidade de escolha na hora de produzir os melhores azeites. Além disso, os profissionais aproveitarão melhor os subprodutos do azeite: o caroço vai para a central térmica da Herdade, e o bagaço fará parte do composto utilizado para fertilizar as oliveiras.

A partir desta campanha 2016, o engarrafamento dos azeites passará também a ser feito na propriedade.

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Os azeites

O Esporão produz os azeites Virgem Extra, Orgânico, Cordovil, Seleção, Galega e Dop Moura (prometo uma série especial sobre azeitonas e azeites para breve). Produzidos a partir de azeitonas dos melhores olivais alentejanos, todos são extra virgem, produzidos por meio de métodos naturais e extraídos à frio. Sem aditivos ou misturas. 100% alentejanos e 100% puros.

 

No Brasil, os azeites do Esporão são importados pela Qualimpor e podem ser encontrados em supermercados, empórios e nos melhores restaurantes.

 

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O que é o vinho “foxado”?

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O tema do post de hoje é pouco palatável. Vamos falar sobre um dos “defeitos” mais importantes do vinho, o  Foxado.

Coloco a palavra “defeito” entre aspas porque o foxado é, na verdade, uma característica de um tipo específico de vinho, e não um erro de vinificação ou resultado da guarda inadequada do vinho.

O termo “foxado” vem do inglês “foxy” e descreve um aroma terroso e adocicado, associado pelos europeus a pêlo de raposa (fox em inglês). No Brasil, o reconhecemos como o aroma de suco de uva, típico das “uvas de mesa” Concordia, Isabel e Niagara.

foxed-grapesEssas variedades pertencem à espécie Vitis labrusca, nativa da América do Norte, e são ótimas para o consumo in natura e para a produção de sucos e geléias. No entanto, os vinho produzidos com essas uvas possuem aroma desagradável ao paladar da maioria das pessoas, principalmente dos europeus.

Recentemente se descobriu que o aroma e sabor foxado dessas uvas e vinhos se deve ao composto aromático Antranilato de metila, um éster encontrado apenas nas uvas Vitis labrusca e seus híbridos, e que não está presente nas uvas chamadas européias (Vitis vinifera).

Na Europa, a vinificação de uvas americanas é proibida. Toda a produção de vinhos utiliza apenas cepas das uvas da espécie Vitis vinifera: Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, e outras aproximadamente 10.000 variedades…

garrafaoNo Brasil, a Vitis labrusca sempre foi a espécie utilizada na produção dos chamados “vinhos de mesa”, “vinhos de colônia” ou “vinhos de garrafão”. Apesar desse cenário estar mudando lentamente, ainda são a grande maioria dos vinhos produzidos por aqui. Geralmente são doces (mas também podem ser secos), e fazem grande sucesso entre os consumidores não acostumados ao paladar mais seco e tânico dos vinhos finos (produzidos com Vitis vinifera). Além do Brasil, poucos países produzem vinhos foxados…

Nestes vinhos, propositalmente (e tradicionalmente) produzidos com uvas de variedades americanas, a presença do aroma e do sabor foxado é uma característica do vinho, não podendo ser considerado um defeito.

Pela legislação brasileira, vinho é definido com “bebida resultante da fermentação alcoólica completa ou parcial da uva fresca” sem qualquer menção à espécie de uva a ser utilizada. Dessa forma, é permitido a vinificação da Vitis labrusca desde que conste “Vinho de Mesa de Americanas” no rótulo e não se misture com uvas viníferas.