O Vale do Rhône – parte 1: introdução e Rhône Norte

tain-lhermitage

O rio Rhône é um dos rios mais importantes da Europa. Nasce no Valais, nos Alpes Suíços, percorre 812km e desagua em delta na costa francesa do Mar Mediterrâneo. No entanto, quando se fala em “Vale do Rhône” refere-se à parte francesa que vai de Vienne (ao norte) às proximidades de Avignon (ao sul), sendo hoje o 2º maior vinhedo da França, com 75000 Ha (atrás apenas de Bordeaux).

História

A vitivinicutura foi introduzida no Rhône pelos romanos, por volta do século I, mas existem indícios que os gregos já cultivavam a vinha na parte sul do vale, próxima ao Mediterrâneo, desde o século IV a.C.

Com a queda do Império Romano houve uma interrupção no desenvolvimento do vinhedo do Rhône que só voltou a prosperar no século XIV com a mudança da corte papal de Roma para Avignon (em 1309), trazendo muita riqueza a região e expandindo muito a área cultivada. Mas no fim do século XIX, com a chegada da Filoxera na região, muito vinhedos do vale foram dizimados. No esforço coletivo para “recriar” o vinhedo após a descoberta da solução para a praga surgiram as cooperativas, ainda muito presentes atualmente (sobretudo no sul).

Com o renascimento do vinhedo no Rhône surge a figura do barão Pierre Le Roy de Boiseaumarié (1890-1967), herói da Primeira Guerra Mundial e depois vinhateiro por casamento em Chateauneuf-du-Pape, liderando a luta pelo reconhecimento dessa região como denominação de origem, o que ocorreu por decreto em 1933. A partir daí, o acesso ao status de AOC (Appelation d’Origine Controlée) se constituiu em motivação coletiva para a melhora consistente dos vinhos de todo o Vale do Rhône, e houve o surgimento progressivo das AOCs atuais.

vallee_du_rhone

O Vale do Rhône é dividido em Norte (ou Rhône Septentrional em francês) e Sul (Rhône Méridional), com características geográficas muito distintas entre si. Tais características resultam numa variedade de diferentes terroirs que, em última análise, são responsáveis pela multiplicidade de estilos dos vinhos do Rhône.

Atualmente, o Rhône Norte possui 8 Denominações de Origem, enquanto o Rhône Sul possui 15. Cada uma delas possui regulamentação própria no que diz respeito à delimitação da área de vinhedo, variedades permitidas, técnicas vitivinícolas utilizadas, grau alcoólico mínimo, entre outras especificações técnicas… Existe também a denominação “genérica” Côtes du Rhône, que abrange áreas em ambas as partes do vale.

Côtes du Rhône AOC

Cerca de 50% dos vinhos produzidos na região se enquadram na AOC Côtes du Rhône, que cobre áreas de vinhedo tanto ao norte quanto ao sul do vale. É considerada uma denominação “de entrada”, regras não tão estritas quanto as outras denominações. Geralmente é usada apenas para vinhos que não conseguem preencher os requisitos de qualidade para serem classificados em outras denominações de maior prestígio (e com maiores preços).

Essa AOC também é muito usada por négociants que compram uvas à granel de diversas regiões e produtores do Vale do Rhône, vinificam e engarrafam o vinho, e distribuem em escala industrial. Dessa forma, os vinhos da AOC Côtes du Rhône são, sem dúvida, os mais comuns e conhecidos vinhos de todo o Rhône.

Em geral, são blends baseados na Grenache ou Syrah, com no mínimo 11% de álcool. Mas podem ser utilizadas qualquer uma das 21 cepas autorizadas. Brancos e rosés também são produzidos, embora mais raros. Normalmente são vinhos frescos e fáceis de beber, perfeitos para o dia-a-dia.

Vinhos um pouco mais complexos, com menor rendimento e ligeiramente mais alcoólicos podem utilizar o nome de um das 18 “vilas” autorizadas, sendo então classificados como Côtes du Rhône Villages AOC: Cairanne, Visan, Puymeras, Séguret, Saint-Gervais, Valréas, Vinsobres, Roaix, Sablet, Rochegude, Chusclan, Rousset-les-Vignes, Saint-Pantaléon-les-Vignes, Saint-Maurice-sur-Eygues, Bagnols-sur-Ceze, Laudun, Massif d’Uchaux, Plan de Dieu.

O Rhône Norte

north-rhone-mapO Rhône Norte, ou Rhône Setentrional, se estende por uma estreita faixa de 70km entre as cidades de Vienne e Valence. Tem uma área menor que a da Côte de Beaune, na Borgonha, é responsável por apenas cerca de 5% da produção total de vinhos do Vale do Rhône.

Nas últimas décadas ganhou “estatura” comparável à Bordeaux e Borgonha, principalmente graças a alta qualidade dos vinhos da Côte-Rôtie e de Hermitage, com preços muitas vezes equivalentes.

Os vinhedos da parte norte do vale se agrupam próximos ao rio, nas encostas íngremes de solo granítico, em terraços, para obter a melhor exposição solar. O clima é do tipo continental, com invernos frios e verões bem quentes, mas consideravelmente mais fresco que a região meridional, sendo “temperado” pela constante neblina das manhãs.

A uva que reina absoluta no norte do Rhône é a Syrah. Autóctone da região, não é uma versão tão madura e vigorosa quanto a Shiraz australiana mas é, sem dúvida, a de buquê mais exótico e elegante, expressando perfeitamente o caráter particular de cada denominação. Faz companhia à Syrah as brancas Viognier, Marsanne e Roussane.

O Rhône Norte possui 8 Crus, de alta reputação:

Côte-Rôtie AOC

Com cerca de 260 ha de vinhas em terraços íngremes na face ocidental do rio, a Côte-Rôtie produz vinhos de altíssima qualidade e de grande prestígio. 80% da produção é de vinhos tintos de Syrah, na chamada Côte-Brune. Na Côte-Blonde predomina a Viognier, usada em cortes de até 20% para equilibrar os tintos da região (prática cada vez mais rara). O grande produtor da Côte-Rôtie é, sem dúvida, E. Guigal com vinhos magníficos (e caros!).

viognierCondrieu AOC

Ao sul de Côte-Rôtie fica a pequena denominação de Condrieu, com aproximadamente 160ha plantados com a aromática e frágil Viognier, produzindo vinhos brancos suntuosos e elegantes.

Château-Grillet AOC

Encravada dentro do território de Condrieu, o Château-Grillet é uma das menores denominações da França, com 3,8ha de Viognier pertencentes a François Pinault, também dono do Château Latour, em Pauillac. Os vinhos são exuberantes, caros e aptos ao envelhecimento.

Saint-Joseph AOC

É a segunda maior denominação do Rhône, com pouco mais de 920ha, se extendendo do sul de Condrieu até Cornas (por aproximadamente 60km), pela margem ocidental do Rhône. Produz tintos exclusivamente de Syrah e brancos de Marsanne e Roussane. Pelas regras da denominação, é permitido adição de até 10% das uvas brancas ao vinho tinto.

Originalmente um grupo de 6 comunas (lideradas por Mauves e Tournon mais ao sul), expandiu gradualmente sua área para as atuais 26. O resultado foi alguns vinhos muito leves e sem complexidade. As comunas originais, no entanto, permanecem como indicativo de qualidade, e os melhores produtores fazem belos vinhos.

Hermitage AOC

img_20160924_182908967-2

Sem dúvida, Hermitage é a AOC de maior prestígio do Rhône Setentrional. Com apenas 136ha de vinhas, situa-se na face sudoeste do morro que se eleva sobre a cidade de Tain l’Hermitage, na margem leste do Rhône, e produz alguns dos mais belos vinhos da França (comparados aos grande Bordeaux e Borgonhas).

A lenda conta que no século XIII, ao retornar ferido de uma cruzada, um cavaleiro construiu uma pequena capela no topo da colina e passou a viver ali como eremita (ermite, em francês), aproveitando-se do excelente vinho já produzido na região. Os vinhos locais ganharam fama no reinado de Luís XIII, que se apaixonou pelo vinho numa visita à região, e no século XIX muitos produtores de Bordeaux adicionavam o Hermitage para “melhorar” seus vinhos (prática chamada “hermitager“).

Cerca de 80% dos vinho de Hermitage são tintos produzidos exclusivamente com a uva Syrah, sendo considerados a mais perfeita expressão dessa casta. Os mais leves e aromáticos são provenientes dos climats mais elevados, ao lado da pequena e histórica capela (hoje propriedade do negociante Paul Jaboulet Âiné, produtor do célebre “La Chapelle“). Um quinto da produção de Hermitage é de vinhos brancos das uvas Marsanne e Roussane, incrivelmente elegantes e longevos. E há ainda uma minúscula quantidade do lendário e longevo vin de paille (vinho de palha), elaborado com uvas tradicionalmente desidratadas em esteiras de palha.

Ao lado de Paul Jaboulet Âiné, a denominação é dominada por 3 outros grandes produtores, J.L. Chave, Chapoutier e Delas, e pela cooperativa Cave de Tain. Todos, felizmente, comprometidos com a imensa qualidade dos vinhos de Hermitage.

Crozes-Hermitage AOC

Situada ao redor da colina de Hermitage, extendendo-se por quase 16km tanto ao norte quanto ao sul de Tain, está a denominação Crozes-Hermitage. Com cerca de 1500ha de vinhas plantadas em encostas mais suaves (e “mecanizáveis”), seus vinhos são menos complexos e menos longevos que seu famoso vizinho (embora sejam produzidos com as mesmas uvas).

Após a expansão de sua área houve um período de declínio de qualidade, e consequentemente de prestígio, de seus vinhos. Mas isso vem se revertendo graças à novos negociantes, como Tardieu Laurent, e a Cooperativa de Tain (que também produz boa parte dos vinhos dessa denominação) .

Cornas AOC

syrahNa margem oeste do Rhône, logo abaixo de St-Joseph, encontra-se Cornas com cerca de 110ha de Syrah plantados em terraços graníticos com face sudeste. Seus vinhos são intensos e “mais rústicos” que os tintos de Hermitage, com taninos potentes e que necessitam de alguma guarda para “amansá-los” (tradicionalmente, entre 5 e 6 anos). Mas produtores mais novos têm elaborado vinhos mais modernos, frutados e para consumo precoce.

Saint-Péray AOC

Pequena denominação de 52ha, em frente à cidade de Valence, Saint-Péray produz apenas vinhos brancos (com as uvas Marsanne e Roussane) tranquilos e espumantes. Os espumantes correspondem a cerca de 70% da produção, e são chamados Mousseux. São produzidos pelo “método tradicional” (com segunda fermentação na garrafa) e são, em geral, brut. Já os vinhos tranquilos são sempre secos, encorpados e florais, bons para consumo precoce.

 

Outras Denominações do Norte do Rhône

Ainda na região geográfica do Rhône Norte, mas ao leste, às margens do rio Drôme, se encontram quatro denominações bastante diferentes da “tradicionais” denominações do Rhône Norte, com vinhos mais semelhantes, em estilo, aos da Provence: Clairette de Die AOC e Crémant de Die AOC (que produzem espumantes elaborados com Muscat Blanc e Clairette), e Coteaux de Die AOC (brancos tranquilos e secos com a uva Clairette) e Châtillon-en-Diois AOC (vinhos tranquilos, brancos, tintos e rosés – estes últimos com Gamay, Pinot Noir e Syrah).

 

 


 

Em breve, a continuação deste post… (parte 2 – Rhône Sul)

 

Anúncios

Gavi DOCG

gaveVineyards

Cortese di Gavi, ou simplesmente Gavi, é um vinho branco tranquilo italiano do Piemonte, noroeste da Itália. Embora pouco conhecido no Brasil, suas origens remontam ao século XVII e quase toda produção é consumida localmente ou exportada para os EUA. É considerado como um dos melhores brancos do norte da Itália, e isso não é pouca coisa.

Produzido exclusivamente com a uva Cortese (também presente nas DOCs Colli TortonesiCortese dell’Alto Monferrato), a Denominazione Gavi recebeu status de DOC em 1974 e DOCG em 1998.

Italy-Piedmont-mapAs regras da denominação restringem sua produção à uma área de aproximadamente 1200 hectare da província de Alessandria, nas comunas de Bosio, Capriata d’Orba, Carrosio, Francavilla Bisio, Gavi, Novi Ligure, Parodi Ligure, Pasturana, San Cristoforo, Serravalle Scrivia e Tassarolo. O solo da região é calcário-argiloso-marnoso com boa drenagem, e o relevo é pouco plano, com colinas íngremes e vinhedos plantados sobretudo nas encostas com exposição sul e sudeste. Vinhos produzidos dentro da Comuna de Gavi podem ser denominados Gavi di Gavi ou Gavi del Commune di Gavi.

Segundo a DOCG, o teor alcoólico mínimo deve ser 10,5% (11% para os “Reserva”). E os vinhos denominados “Reserva” devem envelhecer um mínimo de 1 ano, sendo 6 meses em garrafa. Os vinhos Gavi podem ainda ser vinificados como espumantes, utilizando o método tradicional e passando 2 anos em maturação, sendo 18 meses em contato com suas borras (sur lies).

grape-Cortese

Os vinhos da uva Cortese, sobretudo o Cortese di Gavi, são muito apreciados na região vizinha, a Ligúria. Seus aromas moderados e críticos harmonizam perfeitamente com os peixes e frutos do mar da costa de Gênova e Cinque Terre. Em geral, são vinhos equilibrados, com corpo médio e acidez moderada. Embora não sejam vinhos para guarda, evoluem bem com 2 ou 3 anos na adega , tornando-se mais ricos e com sabores mais fortes. Em anos mais frios, os vinhos podem apresentar acidez mais agressiva, exigindo medidas como fermentação malolática e maturação em barricas para equilibrá-la.

Embora à sombra dos grandes vinhos tintos do Piemonte, como Barolo e Barbaresco, e “perdendo” em produção e consumo de brancos como Moscato e Arneis, o Cortese di Gavi apresenta uma sutileza despojada e despretensiosa que tem atraído muitos fãs nos últimos anos, não somente na Itália. Com o aumento do consumo, muitos produtores passaram a priorizar a quantidade sobre a qualidade. Por isso, escolha o seu Gavi com cuidado e procure ficar com produtores como Broglia “La Meirana”, Fontanafredda, Nicola Bergaglio e Villa Sparina.


Degustando…

GaviBrogliaA primeira menção de um vinho produzido em Gavi data de 972 quando o Bispo de Genova alugou uma propriedade da Igreja com vinhedos e bosques para Pietro e Andrea, dois homens livres de Gavi. O pedaço de terra foi chamado “La Meirana”. Exatamente 1.000 anos mais tarde, Bruno Broglia adquiriu essa mesma propriedade e fundou a Broglia, agora uma das principais vinícolas da Gavi.

No começo do ano tive a oportunidade de provar o clássico Gavi del Comune di Gavi, apropriadamente chamado La Meirana, da excelente safra 2010. É um vinho encantador!

A fermentação ocorre em grandes tanques de aço inox com temperatura controlada, entre 18º e 20ºC. Tem teor alcoólico de 12,5% e não passa por carvalho.

Tem coloração amarelo palha e reflexos esverdeados, e apresenta intensos aromas de pêssego, pêra, maça verde cozida e amêndoas tostadas. Na boca tem notas de pêssego maduro e amêndoas, com leve toque amanteigado e mineral. É um vinho bastante equilibrado, carnudo e com uma textura macia, apresentando uma acidez pungente apesar da idade, e grande frescor. Um belo vinho, com uma longa persistência. Um ótimo vinho!

 

 

Columbia Valley, Washington

wa-ancientlakes

Localizado no extremo Noroeste dos Estados Unidos, o estado de Washington é o segundo estado viticultor mais importante do país (atrás, claro, da California), com mais de 16200ha de vinhas. Embora o estado desfrute atualmente de posição privilegiada no cenário vitivinícola americano, foi só à partir da década de 1980 e 1990 que essa indústria começou a florescer, em parte graças à pioneira vinícola Chateau Ste. Michelle, de Columbia Valley.

Dividido perpendicularmente pelas Cascade Mountains, o estado de Washington possui duas metades muito distintas. A oeste é frio e chuvoso, com apenas uma AVA (American Viticultural Area) próxima da capital Seattle (Puget Sound), e 1% da produção de uvas do estado.

O lado leste, por sua vez, apresenta condições quase desérticas (precipitações de 15-20cm/ano) graças ao bloqueio da umidade marítma pelas Cascade Mountains (efeito rain shadow). O clima árido e o solo com rápida drenagem torna obrigatória a irrigação e encarece a produção, mas minimiza problemas com pragas (a filoxera, por exemplo, nunca apareceu por lá). Isso associado à longas horas de luz solar no período de crescimento garante alguns dos mais admirados Cabernet Sauvignon, Merlot, Riesling e Syrah do país.

washington_ava_map

A maior e mais produtiva apelação de Washington é a AVA de Columbia Valley. Essa área enorme se espalha a leste das Cascades, cobrindo quase metade do estado, desde o rio Columbia ao sul até as terras ao norte do rio Yakima, englobando diversas AVAs menores (as famosas Red Mountain, Walla Walla Valley e Yakima Valley; Wahluke Slope, Horse Heaven Hills, Rattlesnake Hills, Lake Chelan e Ancient Lakes).

A maior, mais antiga e, sob muitos aspectos, a mais importante vinícola do estado de Washington é a Chateau Ste. Michelle. Com origem na época da Lei Seca, ganhou seu nome atual com a construção, em 1976, de sua sede em Woodinville. Hoje possui mais de 1420ha de vinhedos, produz por volta de 1 milhão de caixas de vinho por ano e é dona de outras vinícolas menores, entre elas a Columbia Crest, famosa por seus vinhos acessíveis e elogiados. Seus grandes projetos, no entanto, são as parcerias com renomados produtores como o toscano Marchese Antinori (no “supertoscano” Col Solare, em Red Mountain) e com o alemão Ernst Loosen, nos maravilhosos Rieslings Eroica.


 

Degustando…

No último fim de semana tive a oportunidade de provar, junto aos amigos (que maneira melhor?), 2 belos Cabernet Sauvignons produzidos no Columbia Valley por essa emblemática vinícola. Ambos da safra 2012, considerada espetacular pelas publicações especializadas (condições climáticas perfeitas para o amadurecimento das uvas tintas). Apesar disso, os vinhos eram bem diferentes entre si:

IMG_9789

garrafas vazias falam mais que mil palavras…

O primeiro foi o Columbia Crest Grand Estates 2012 Cabernet Sauvignon, com 90 pontos pela Wine Spectator e bom custoXbenefício. Com uvas provenientes das AVAs Horse Heaven Hills e Wahluke Slope, recebe 2% de Merlot. Logo de cara, um vinho muito aromático com notas de amora, baunilha e chocolate em pó, mas que perderam a exuberância inicial após algum tempo na taça. Na boca segue frutado (frutas negras) e bem equilibrado, com acidez e corpo médios, taninos muito macios e ótima integração com a madeira (16 meses em barricas de carvalho americano, 1/3 novas). Um vinho “redondo” e fácil de beber.

Na sequência, e acompanhado de um suculento bife ancho uruguaio, provamos o Chateau Ste Michelle Indian Wells 2012 Cabernet Sauvignon, um corte com 10% de Syrah, que recebe uvas do vinhedo Indian Wells em Wahluke Slope e matura 16 meses em barricas de carvalho novo (51% americanos, 49% francês). O resultado é um vinho mais complexo e mais austero nos aromas, com notas de pinho, mentol, geléia de amora, baunilha e caixa de charuto. Na boca tem um pouco mais de estrutura e corpo, com acidez média-alta e uma interessante mineralidade. O álcool é muito bem integrado e não esquenta a boca (apesar dos 14,5% de teor alcoólico). Finalmente, os taninos são marcantes mas sedosos, com final longo e persistente. Um vinho bastante elegante!

E você, leitor? Tem bebido vinhos de Washington? Conte sua experiência nos comentários.