Casa Marin Riesling Miramar Vineyard 2015

 

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Na noite da última sexta-feira fui com os amigos (e confrades do Vinho Nosso) conhecer o excelente bistrô Black Sheep, em Campinas. Além dos pratos deliciosos e da conversa animada, tive o prazer de degustar alguns vinhos maravilhosos, dentre eles um espetacular Riesling da chilena Casa Marin.

A jovem bodega Casa Marin, fundada no início dos anos 2000 pela enóloga María Luz Marín, em pouco tempo construiu uma sólida reputação. Seu enxuto portfólio destaca principalmente as excelentes variedades de uvas brancas produzidas na fria região de Lo Abarca, no Vale de San Antonio.

A região de Lo Abarca se localiza à 4km do Oceano Pacífico, na chamada “Cordilheira da Costa”. Seu solo é pobre e calcário, com muitos depósitos marinhos, e a temperatura média fica em torno de 15º C (no verão não passam de 28º C) graças à fria Corrente de Humboldt que chega do oceano. A maior parte dos 41 ha de vinhas encontram-se em encostas, com diferentes exposições solares, que delimitam diferentes micro terroirs, todos com baixíssimo rendimento. Essas características todas, em última análise, resultam em uvas concentradas, que vão produzir vinhos elegantes, com alta acidez e mineralidade.

Degustando…

O Riesling Miramar Vineyard 2015 é produzido exclusivamente com uvas do renomado vinhedo Miramar que, como o nome bem diz, tem o privilégio de “olhar” para o mar… Durante as manhãs de primavera e início de verão parte do vinhedo fica coberto de névoa, o que favorece o desenvolvimento da podridão nobre. Uma pequena porcentagem dessas uvas botrytizadas é propositalmente colhida durante a vindima, e o mosto produzido é fermentado (à temperatura de 12ºC) por duas semanas e meia até que fique “seco”. Em alguns tanque a fermentação é interrompida um pouco antes garantindo um pouco mais de açucar residual (9,9g/L).

O resultado é um vinho surpreendentemente elegante e equilibrado!

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Na taça mostra coloração amarelo-palha bem clara, límpida e brilhante. Exala aromas intensos de maçã vermelha e resina (petróleo), flores brancas e um toque cítrico leve. Com o tempo na taça os aromas minerais vão se tornando ainda mais evidentes. Na boca é seco, com sabores cítricos, discreta mineralidade e acidez média-alta. Um vinho fresco, de corpo médio, com certa untuosidade e um final de boca longo e muito agradável!

Graças à sua acidez e frescor, é extremamente gastronômico! Seus aromas minerais harmonizaram perfeitamente com uma salada defumada de folhas, gorgonzola e amêndoas. Também acompanharia muito bem um ceviche, frutos do mar em geral e pratos apimentados (como comida tailandesa).

Não é à toa que Robert Parker lhe deu 92 pontos!

 

Produtor: Casa Marin
Vinho: Riesling Miramar Vineyard
Uva(s): Riesling
Safra: 2015
País: Chile
Região: D.O. Valle de San de Antonio
Maturação:
Fechamento: Screw cap
Preço: R$165,00
Importador: Zahil
Minha Avaliação: 93 pontos

 

 

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Degustação de vinhos alemães da Weinkeller

Semana passada participei de uma degustação promovida pela ABS Campinas e pela importadora paulista Weinkeller, especializada em vinhos de pequenos produtores alemães.

Os vinhos degustados foram interessantes exemplos do que a Alemanha produz de melhor, com ênfase óbvia nos vinhos brancos (que parecem ser a verdadeira vocação da vitivinicultura alemã). Entre eles estavam secos (trocken) e semi-secos (feinherb), um tinto e um espumante (sekt):

 

 

Apesar de ter gostado de quase todos (o Spätburgunder – também conhecido por Pinot Noir –  não me agradou em nada) selecionei os dois primeiros (meus preferidos) para comentar:

1. Schloss Wachenheim Sekt Rosé – interessante espumante rosé do Pfalz (ou Palatinado), produzido apenas com Pinot Noir. Na taça mostrou uma elegante coloração salmão, com perlage muito fina, e aromas de frutas vermelhas frescas, algum floral e aquele aroma de panificação típico do método Champenoise. Na boca é frutado, com morangos e cerejas, e muito equilibrado: tem corpo médio, acidez média-alta e taninos sutis e elegantes. Apesar de seco, apresenta certo dulçor residual (23,5g/L), e longa persistência. Me chamou atenção por nunca ter provado um espumante alemão e pela agradável permanência na boca e grande frescor.

2. Kloster Heilsbruck Riesling Trocken 2014 – o melhor vinho da degustação, na minha opinião, foi este típico riesling alemão produzido por um pequeno vinhedo biodinâmico no interior de um mosteiro de mais de 700 anos, na região de Pfalz. Com cor amarelo palha muito claro e aromas intensos de melão, damasco, casca de limão, flores brancas e maresia (a típica mineralidade da Riesling). Após algum tempo na taça sentiu-se um aroma petroláceo leve, de querosene. Na boca esbanjou mineralidade e frescor, com sabores de frutas cítricas, corpo médio e alta acidez. A persistência não era longa, pedindo novos goles até o final da taça. Um belo vinho!

Em geral, os vinhos degustados tinham em comum acidez viva e evidente mineralidade, características típicas dos vinhos alemães.

 

No próximo post desvendarei a classificação dos vinhos alemães, que pode ser bem complicada…