Duelo de gigantes: Altaïr 2002 x 2004

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Recentemente tive o privilégio de provar esses dois belíssimos vinhos, ícones chilenos, e não posso deixar de contar a experiência!

 

Altaïr, o nome dos vinhos e da vinícola, é também o nome da estrela mais brilhante da constelação de Áquila (ou Águia), e pode ser vista brilhando no céu tanto do hemisfério Norte quanto do Sul. O nome cai como uma luva para o vinho que tem brilhado forte, e se destacado, dentre numa constelação de bons vinhos produzidos atualmente no Chile.

A Viña Altaïr foi fundada em 2001 como uma joint-venture entre o Laurent Dassault (proprietário dos Châteaux Dassault e La Fleur, em Saint-Émilion) e a gigante Viña San Pedro (segunda maior produtora de vinhos do Chile). A primeira safra produzida foi a 2002 e já impressionou logo de cara. Em 2007 o grupo chileno comprou a parte de Dassault; mas ao contrário do que se poderia esperar, o Altaïr acumulando prêmios e ótimas críticas internacionais.

Sob a batuta de Gonzalo Castro (enólogo chefe) e com consultoria do renomado Paul Hobbs, Altaïr é um vinho de corte que tem como base a Cabernet Sauvignon. As outras variedades que completam o blend tem proporções variadas a cada safra.

O árido Vale de Cachapoal, localizado no chamado Vale Central (que se estende ao sul de Santiago), foi o local escolhido para a vinícola. Mais especificamente o “Alto Cachapoal“, aos pés da Cordilheira dos Andes, com clima mediterrâneo e solo aluvial-coluvial, onde a Cabernet Sauvignon brilha como estrela de primeira grandeza. Os vinhedos se localizam à 800 metros acima do nível do mar, com ótima exposição solar e grande amplitude térmica.

As vinhas são conduzidas para apresentar baixíssimos rendimentos, a colheita é manual (em diversas passagens, sempre nas primeiras horas da manhã) e cada lote é vinificado e envelhecido em carvalho francês separadamente. E só então, após o estágio em barrica, é que os vinhos são degustados um a um, às cegas, e as variedades que comporão o blend naquele ano são definidas.

 

A degustação

Os vinhos degustados, das safras 2002 e 2004, não podiam ser mais diferentes entre si. Isso se dá, principalmente, pela presença da Merlot no 2002 — utilizada apenas nos blends 2002 e 2003 — substituída pela Syrah do ano 2004 em diante. Ambos os vinhos foram envelhecidos em barricas de carvalho francês de 225 litros (50% novas) por 15 meses. E antes da degustação, foram decantados por cerca de 3 horas.

IMG_5927O Altaïr 2002 é um corte de 86% de Cabernet Sauvignon, 7% de Carménère e 7% de Merlot.

Com 15 anos de guarda, já mostrava uma coloração rubi-granada, com halo tijolo. No nariz apresentava aromas exuberantes, já com pouca fruta (frutas negras maduras) mas com muita pimenta-do-reino, chocolate, tabaco, cedro e caixa de charutos. Sem aromas terciários apesar da idade, no máximo um toque de couro.

Na boca: uma seda! Corpo médio e muito equilibrado, tinha acidez moderada e taninos aveludados e muito elegantes, deixando a boca deliciosamente macia. E com um final muito longo de tabaco e chocolate. Um espetáculo de vinho!!

 

IMG_5931O Altaïr 2004 é outro vinho! Um blend de 73% de Cabernet Sauvignon, 15% de Syrah, 11% de Carménère e 1% de Cabernet Franc.

Mais intenso que seu “irmão mais velho” mas ainda jovem, apesar dos 13 anos de idade, exibia cor rubi intensa e um pequeno halo terroso. Aromas intensos de licor de cassis e geléia de amoras, floral, cravo da Índia, baunilha doce e chocolate.

Opulento e estruturado, tinha corpo médio-alto e acidez viva, álcool presente e taninos moderados e sedosos. Mostrava muito mais fruta e especiarias na boca, com menos presença de madeira e com um pouco mais de carga tânica. O final também muito longo e macio, deixava a boca querendo uma boa carne para acompanhar. Delicioso!!

 

O 2002 foi o meu preferido, mais “redondo” e já no seu auge! Um show de elegância e equilíbrio! Para beber agora ou nos próximos 5 anos. Já o 2004 é um vinho ainda com vida longa pela frente. Provavelmente evoluirá muito bem na próxima década e deve se tornar tão elegante quanto seu “irmão”, ou ainda mais…


 

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