
A Cave Geisse nasceu em 1979 pelas mão do enólogo chileno Mario Geisse que percebeu o potencial da região de Pinto Bandeira, distrito de Bento Gonçalves, para a produção de espumantes. Investindo primeiro na qualidade das uvas, e aliando conhecimento, tradição e modernas técnicas vitivinícolas, passou a produzir espumantes de alto padrão de qualidade e a se destacar nesse mercado crescente e tão competitivo.
No ano de 2015, seu espumante Terroir Nature 2009 foi eleito melhor espumante brasileiro pelo Guia Descorchados, com 93 pontos. Em 2016, essa mesma publicação elegeu o Terroir Nature 2011 como o 2º melhor espumante e o Terroir Rosé 2010 como o 3º lugar (e melhor espumante brut nacional). O Terroir Nature 2011 figura ainda como único espumante nacional no livro 1001 Vinhos para Beber Antes de Morrer de 2015 (Editora Sextante).
Produzidos através do “método tradicional” (o método champenoise), com a segunda fermentação ocorrendo na garrafa, os espumantes da Cave Geisse expressam com elegância e frescor o terroir de Pinto Bandeira. Alguns deles não ficam atrás de bons Champagnes, em termos de qualidade.
Esse é o caso do excelente Terroir Nature 2011 (R$165 no site). Elaborado com 50% Chardonnay e 50% Pinot Noir provenientes dos vinhedos “Terroir”, é a expressão máxima do cuidado e atenção aos detalhes da Familia Geisse. Após um período de fermentação de 6 meses, o vinho “descansa” na garrafa em contato com suas leveduras (sur lies) por no mínimo mais 36 meses, adquirindo estrutura e complexidade aromática. Após o dégorgement, não recebe adição de Licor de Dosagem, permanecendo apenas com o pouco açúcar residual da fermentação (Nature).
Na taça apresenta coloração amarelo palha claro, com perlage fina e persistente. Os aromas, contidos inicialmente, aos poucos mostram levedura, panificação, flores brancas, frutos secos e notas de frutas cristalizadas. Na boca é marcante pela estrutura e elegância, com médio corpo, acidez viva, leve cremosidade e um toque mineral. O final é longo e a boca implora por um novo gole. Fantástico!

Foi nesse período que uma tal Madame Clicquot-Ponsardin se tornou viúva (veuve, em francês) e assumiu o controle de uma das mais importantes Maisons da região de Champagne. Com ajuda de seu mestre de cave, Anton von Müller, desenvolveu a técnica de remouage que consiste em encaixar as garrafas pelo gargalo nas pupitres (cavaletes especiais) aplicando rotações periódicas nas garrafas e inclinações progressivas do pupitre, até que fiquem com o gargalo para baixo (sur pointe) e os sedimentos, ou “borras” (os restos de leveduras mortas após a segunda fermentação), se acumulem no gargalo da garrafa. Esse processo pode levar meses e, ao final, o gargalo é congelado, a tampa da garrafa é aberta e os sedimentos são expelido por pressão (d
Ano passado tive o privilégio de conhecer Reims e visitar as caves de uma das mais tradicionais Maisons de Champagne, a Taittinger. Toda a linha de deliciosos champagnes, dos Vintages (safrados) ao fabuloso Comte de Champagne, é espetacular e prima pela elegância e complexidade. Mas é justamente o champagne “de entrada” da casa, o Taittinger Brut Réserve, que na minha opinião destaca a Maison entre as dezenas de vizinhas. Produzido com 40% de Chardonnay e 60% de Pinot Noir e Pinot Meunier, passa no mínimo 3 anos maturando nas caves em contato com as leveduras (sur lies) e mostra consistência em aromas e em qualidade, ano após ano.

