Foodpark em São Paulo apresenta Wine Bike da Nederburg

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Localizado na badalada Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, o foodpark Panela na Rua já está acostumado a receber o melhor da gastronomia de rua paulistana. Mas nos domingos do mês de fevereiro, o espaço recebe uma nova atração: a Wine Bike do premiada vinícola sul-africana Nederburg.

A proposta da marca é criar uma experiência diferente aos consumidores, levando o vinho para uma nova ocasião de consumo – mais prática, informal e ao mesmo tempo de qualidade. Os vinhos disponíveis serão os da linha Foundation (tintos, brancos e rosés) e os consumidores poderão degustar a bebida em taças ou comprar as garrafas a preços especiais.

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“Os vinhos sul africanos são de altíssima qualidade e possuem boa relação custo-benefício. Por isso, estão caindo no gosto dos brasileiros, como uma alternativa aos vinhos chilenos e argentinos. Neste último ano, a marca Nederburg cresceu 73% em relação 2015. Esperamos que o crescimento continue acelerado para os próximos anos, porque ainda existe muito espaço no mercado para novos vinhos e uvas”, afirma o Gerente de Marketing LATAM da Distell, Theo Prado Lopes Leal.

A Nederburg é a vinícola mais premiada da África do Sul e coleciona troféus, medalhas e prêmios – obtidos em competições nacionais e internacionais – que atestam a qualidade e excelência de seus vinhos. Foi eleita a Vinícola do Ano pelo Guia Platter’s 2017, com quatro vinhos recebendo cinco estrelas, mais do que qualquer outro produtor.

“Acreditamos que essa será uma oportunidade de apresentar, além dos vinhos da marca Nederburg, fundada em 1791, um pouco mais da categoria dos vinhos sul-africanos, ainda pouco conhecida no Brasil. A África do Sul produz vinhos de excelente qualidade há mais de 350 anos, mantendo tradições e trazendo inovações para o segmento”, disse o Gerente de Marketing de Vinhos da Distell, Denis Agnelli.

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Wine Bike Nederburg:

Datas: 5,12,19 e 26 de Fevereiro de 2017

Local: Panela na Rua – Praça Benedito Calixto, Pinheiros, SP

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Os 10 melhores vinhos de 2016 pela Wine Spectator

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A revista americana Wine Spectator (WS) é uma das mais importantes publicações do mundo do vinho, mensalmente avaliando e classificando milhares de vinhos em suas edições impressa e online. E anualmente, desde 1988, a WS publica sua lista dos 100 melhores vinhos do ano em sua edição de dezembro.

Segundo a revista, em 2016 foram degustado mais de 18000 vinhos às cegas, e pontuados  numa escala de 0 à até 100 pontos. Para a elaboração da lista final dos “Top 100” os editores levaram em conta qualidade (os vinhos escolhidos pontuaram todos acima de 90pts), relação custo-benefício (baseado no preço dos vinhos nos Estados Unidos) e disponibilidade de mercado (critério relacionado ao número de caixas produzidas ou importadas para os EUA).  A pontuação média foi de 93pts e o preço médio de U$46, o mesmo das listas de 2015 e 2014.

Diversas regiões e estilos de vinhos foram representados na seleção final, sendo que França, Itália e Estados Unidos (claro, é uma revista americana!) responderam por quase dois terços dos selecionados. Mas junto dos “tradicionais pesos-pesados”, aqueles que você está cansado de ver em qualquer lista dos melhores vinhos do mundo, figuram também rótulos menos conhecidos e de regiões emergentes… E é aí que se encontra espaço para discordâncias e polêmicas.

Abaixo, a lista dos 10 melhores vinhos de 2016 na classificação da Wine Spectator. Pessoalmente, discordo bastante da escolha da revista, principalmente pela presença maciça de vinhos americanos. Mas, quem sou eu para discordar…

De qualquer forma, são vinhos excelentes, sem dúvida! Alguns já estão “prontos”, mas a maioria ainda são novos e tem imenso potencial para guarda. Infelizmente, o preço apresentado (preço, em dólar, nos Estados Unidos) é BEM diferente daquele que encontramos no Brasil… Mas vale a pena anotar para uma próxima viagem.

10. Hartford Family – Russian River Valley Old Vine Zinfandel, 2014 (Sonoma, Califórnia)

pontuação: 93     preço: $38 USD     produção: 2200 caixas

ws10As vinhas utilizadas na produção deste vinho foram plantadas há mais de um século por imigrantes que tentavam replicar os belos tintos de sua terra natal. Plantaram uvas que pudessem ser fermentadas juntas: Zinfandel, Alicante Bouschet, Petite Sirah e Carignan. Em 1991 a propriedade foi comprada em por Don e Jennifer Hartford, que logo se apaixonaram pela velhas vinhas de Zinfandel. Neste tinto, o enólogo Jeff Stewart utiliza lotes de Zinfandel não aproveitados na elaboração dos “single vineyards” Hartford, Dina e Highwire. O vinho é fermentado em pequenos tanques abertos utilizando levedura indígena, e envelhecido por nove meses em barricas de carvalho francês (40% novas).

Notas de degustação: “Vinho gordo e carnudo, com taninos densos e acidez viva. Aromas de framboesa preta madura, anis e alcaçuz introduzem camadas levemente compotadas de cereja preta, torta de mirtilo e pimenta defumada. Beba agora e até 2024.” – Tim Fish

9. Château Smith-Haut-Lafitte – Pessac-Léognan branco, 2013 (Bordeaux, França)

pontuação: 94   preço: $105 USD   produção: 2500 caixas

ws09A safra 2013 em Bordeaux foi desafiante, com tempo fresco e encoberto durante a estação de crescimento das uvas e chuvas durante a época da colheita. Para os tintos, foi uma verdadeira luta. Mas o tempo frio produziu brancos vibrantes e um dos melhores exemplos veio de Smith-Haut-Lafitte. Desde que Florence e Daniel Cathiard compraram a propriedade, em 1990, foram feitos investimentos agressivos em viticultura e vinificação. O diretor técnico Fabien Teitgen fermenta seu melhor vinho branco (constituído de 90% de Sauvignon Blanc e 5% de Sémillon e Sauvignon Gris) em barricas de forma a obter riqueza de sabores, mas preserva a acidez vibrante do vinho bloqueando a fermentação maloláctica.

Notas de degustação: “Este vinho tem uma sensação deslumbrante, com fruto opulento compensado por notas de ervas e acidez, mostrando sabores de sorvete de limão, shortbread e pêssego branco, seguidos por um final de manteiga salgada e estragão, com discretas pitadas de talco e funcho ao fundo. Muito longo mas ainda com um toque juvenil no final, este é um vinho para guardar. Sauvignon Blanc, Sauvignon Gris e Sémillon. Melhor de 2017 à 2023.” – James Molesworth

8. Antinori – Tignanello, 2013 (Toscana, Itália)

pontuação: 94   preço: $105 USD   importação: 2500 caixas

ws08Este icônico super toscano foi um dos primeiros líderes de qualidade no vinho italiano moderno. Ao prestar muita atenção às práticas agrícolas e aos níveis de maturação das uvas na hora da colheita, o proprietário Piero Antinori e o enólogo Renzo Cotarella domaram os taninos da Sangiovese (que é 80-85% do corte, ao lado da Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc). A longa estação de crescimento em 2013 desenvolveu os aromáticos; e na adega, Cotarella começou a usar tonéis de 500 litros nesta vintage, em vez das barricas de carvalho menores, enfatizando a fruta e promovendo taninos mais sedosos. A fermentação maloláctica ocorreu em barris de carvalho francês e húngaro, novos ou com um ano de idade, onde o vinho também envelheceu por 14 meses.

Notas de degustação: “Aromas de grafite, fumo e tabaco introduzem o sabor de cereja neste expressivo tinto. Taninos firmes e acidez viva equilibram a fruta e a pureza, enquanto as ervas, especiarias e minerais se reúnem à todo vapor, desenvolvendo-se num longo final. Sangiovese, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. Melhor de 2017 até 2027.” – Bruce Sanderson

7. Ridge – Monte Bello, 2012 (Santa Cruz Mountains, Califórnia)

pontuação: 94   preço: $175 USD   produção: 5243 caixas

ws07Guiado por Paul Draper desde 1969, Monte Bello é um modelo de consistência e qualidade entre os Cabernets da Califórnia. O vinhedo encontra-se em altitudes de 400 a 820 m, à cerca de 24 km do Oceano Pacífico, em uma paisagem rochosa e acidentada, com vinhas plantadas em solos calcários de decomposição. Os rendimentos são baixos, e o clima fresco e o solo peculiar criam vinhos de estrutura impecável. O produtor Eric Baugher combina as melhores parcelas de Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot para construir este vinho em estilo Bordeaux, que é então envelhecido por 16 meses em carvalho novo. Anos quentes como 2012 mostram o melhor do que Monte Bello pode oferecer.

Notas de degustação: “Um vinho lindamente estruturado, com acidez firme e taninos que mostram atitude e personalidade em meio a um denso núcleo de suculentas groselhas e amoras. Quem procura um Cabernet clássico e ‘old-school’ vai adorar. Guardar por mais 5 à 7 anos é o mais apropriado. Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot. Melhor de 2020 até 2035.” – James Laube

6. Orin Swift – Machete, 2013 (Califórnia)

pontuação: 94   preço: $48 USD   produção: 15500 caixas

ws06Dave Phinney é um dos mais influentes e inovadores enólogos da Califórnia. Ele ajudou a promover o entusiasmo atual pelos red blends saborosos e acessíveis (e com rótulos inconfundíveis) quando ele criou o vinho “The Prisoner”, corte à base de Zinfandel, em 2000, aumentando a produção para 85000 caixas antes de vender a marca em 2010. Phinney então voltou seu foco para sua linha “Orin Swift”, alavancando desta vez seu corte à base de Petite Sirah chamado “Machete”. Phinney tem um talento especial para misturar e combinar vinhas e uvas. Neste vinho, as uvas Petite Sirah amadurecem o suficiente para suavizar seus taninos, enquanto mantém a estrutura para receber as frutadas Grenache e Syrah.

Notas de degustação: “Generoso e expressivo, grande e musculoso, este vinho oferece um bocado de taninos, mas também é repleto de sabores e aromas, incluindo chá Earl Grey, chocolate escuro, violeta seca e pão de gengibre torrado. Ricas notas de ameixa e cereja preta são equilibradas por toques terrosos e de sous-bois, que persistem num longo final de boca. Petite Sirah, Syrah e Grenache. Beba desde agora até 2030.” – MaryAnn Worobiec

5. Produttori del Barbaresco – Barbaresco Asili Riserva, 2011 (Piemonte, Itália)

pontuação: 96   preço: $59 USD   produção: 1100 caixas

ws05Esta dinâmica cooperativa gerida por Aldo Vacca foi fundada em 1958. Seus atuais 54 membros cultivam 250ha de vinhas. Especializada em Nebbiolo, a Produttori faz um Barbaresco “genérico” e, em safras extraordinárias, nove rótulos “single-vineyard” dos melhores crus na denominação. Asili, apreciado por sua finesse, senta-se no topo deles em 2011, uma safra na qual três semanas de dias quentes e ensolarados e noites frias, em setembro, proporcionaram o clima ideal para o amadurecimento da Nebbiolo. Seguindo as práticas tradicionais de vinificação, o vinho passa por fermentação e conversão maloláctica em tanques de aço inoxidável, seguido de três anos de envelhecimento em barris de 25 a 50 hectolitros.

Notas de degustação: “Aromas intensos de cereja, rosa, alcaçuz e alcatrão no nariz trazem notas de tabaco, especiarias e minerais ao palato. Concentrado mas elegante e expressivo, tem mais para dar no futuro. Termina com um longo retrogosto de frutas, hervas e minerais. Melhor de 2018 à 2032.” – Bruce Sanderson

4. Château Climens – Barsac 2013 (Barsac, França)

pontuação: 97   preço: $68 USD   produção: 1417 caixas

ws04Às vezes referido como o “Senhor de Barsac”, o Château Climens possui séculos de história. Lucien Lurton comprou a propriedade em 1971; sua filha Bérénice assumiu em 1992. A propriedade, que depende inteiramente de uvas Sémillon para seus vinhos doces, tem sido cultivada biodinamicamente desde 2010 e foi certificada como orgânica em 2013. Para os vinhos doces de Sauternes e Barsac, os catadores fazem várias passagens pela vinha para selecionar as uvas acometidas por botrytis, mas a colheita particularmente húmida de 2013 exigiu que essas passagens fossem realizadas rapidamente entre chuva e tempestades de granizo. Felizmente, os solos calcários de Barsac drenam bem e asseguraram frescura no vinho final.

Notas de degustação: “Intensos aromas de damasco, nectarina e tangerina, costurados com notas de casca laranja para dar energia, enquanto sabores tropicais de mamão papaya e manga adicionam uma borda sublimemente cremosa. O final flui continuamente, cobrindo o palato com uma sensação de porcelana, enquanto um eco de amêndoas amargas perdura sem esforço, como uma cortina de renda pendurada numa brisa sem fim. Impressionante! Melhor de 2018 até 2043.” – James Molesworth

3. Beaux Frères – Pinot Noir Ribbon Ridge “The Beaux Frères Vineyard”, 2014 (Willamette Valley, Oregon)

pontuação: 95   preço: $90 USD   produção: 2405 caixas

ws03O proprietário Mike Etzel começou a plantar os 24 hectares originais do vinhedo “Beaux Frères” em 1988, em uma encosta íngreme virada para sul em Ribbon Ridge, na parte norte do Willamette Valley, Oregon, usando os clones de Pinot Noir que dominavam os vinhedos do estado naquela época: Pommard e Wädenswil. A primeira safra foi 1991, e Beaux Frères logo tornou-se referência no Oregon. O estilo mais opulento inicial foi gradualmente ganhando mais elegância e transparência, e seus vinhos continuaram a impressionar os críticos. Os da safra 2014 se apresentam em camadas frutadas e florais que se juntam num equilíbrio flexível e expressivo.

Notas de degustação: “Suave, expressivo e de várias camadas, exibindo sabores de ameixa, groselha, romã e violeta que se combinam harmoniosamente, persistindo no final longo e excepcionalmente bem equilibrado. Beba agora até 2024.” – Harvey Steiman

2. Domaine Serene – Dundee Hills Chardonnay Evenstad Reserve, 2014 (Willamette Valley, Oregon)

pontuação: 95   preço: $55 USD   produção: 2000 caixas

ws02Oregon tem investido seriamente em Chardonnay nesta última década, surgindo um número crescente de vinhos excitantes, com profundidade e energia. A Domaine Serene produz Chardonnay desde 1998 e atualmente faz cinco versões “single vineyard”, de pequenas parcelas de seus 80ha de vinhas na AVA Dundee Hills. Os proprietários Ken e Grace Evenstad começaram em 2010, misturando barris selecionados desses vinhedos individuais e engarrafando como “Evenstad Reserve”, seguindo o formato bem-sucedido de seus Pinot Noir. O 2014 é o melhor de todos até agora: intenso, fresco, macio e expressivo, com um final surpreendentemente longo.

Notas de degustação: “Concentrado e expressivo, com camadas de pedra molhada, cítricos, pêra e goiaba verde, sobrepondo-se até um grande final, e crescendo a cada gole. Beba agora até 2024.” – Harvey Steiman

1. Lewis – Cabernet Sauvignon, 2013 (Napa Valley, California)

pontuação: 95   preço: $90 USD   produção: 1600 caixas

ws01Os Lewis compartilham uma paixão pelos vinhos ricos e opulentos do Novo Mundo, estilo que se adapta bem ao perfil da uvas do Napa Valley. Sua vinícola é reconhecida entre a elite da região em termos de qualidade. E seu maior triunfo veio este ano, com o lançamento de seu emocionante Lewis Cabernet Sauvignon Napa Valley 2013, de uma safra espetacular, escolhido como Vinho do Ano pela Wine Spectator em 2016, tornando-se o sétimo Cabernet de Napa a ganhar essa honra desde o início do prêmio em 1988.

Uma grande conquista para uma pequena empresa familiar, com produção de apenas 10.000 caixas de vinhos. Debbie, de 72 anos, vem de 5 gerações de agricultores californianos e Randy, de 71 anos, correu no automobilismo desde a adolescência até que um acidente, em 1991, o fez mudar de profissão. Randy diz que nunca teve os melhores carros, mas agora tem as melhores uvas…

Sempre com estilo intenso e expressivo, seus vinhos tem sido presença recorrente nas listas de Top 100 da WS e outras publicações especializadas. E apesar das estrelas do portfolio serem os vinhos de Cabernet Sauvignon, a Lewis Cellars produz ótimos Chardonnay, Syrah, Merlot e vinhos de corte.

Segundo os Lewis, os elementos-chave são: a seleção dos melhores sítios vitícolas, o calendário de colheita, a rígida seleção das melhores uvas e o uso generoso do carvalho. Somente um de seus vinhos vem de um vinhedo único, todos os outros são blends de uvas de diferentes vinhedos, selecionadas e compradas dos melhores produtores da região. Com a Cabernet Sauvignon, os Lewis preferem uvas ultra maduras, e são um dos últimos no vale a colhê-las.

Seus vinhos encontram-se na vanguarda da vinificação moderna, com a opulência vindo das uvas maduras e dos taninos densos e polidos, associados ao aromas de baunilha e mocha, provenientes das barricas de carvalho francês.

Notas de degustação: “Extraordinariamente elegante e refinado para um vinho deste tamanho e profundidade, tem aromas de ameixa, amora e groselha, bem como um toque sutil de alcaçuz, que permanecem puros e graciosos no longo e persistente retrogosto. Beba agora e até 2028.” – James Laube


 

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O Vale do Rhône – parte 1: introdução e Rhône Norte

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O rio Rhône é um dos rios mais importantes da Europa. Nasce no Valais, nos Alpes Suíços, percorre 812km e desagua em delta na costa francesa do Mar Mediterrâneo. No entanto, quando se fala em “Vale do Rhône” refere-se à parte francesa que vai de Vienne (ao norte) às proximidades de Avignon (ao sul), sendo hoje o 2º maior vinhedo da França, com 75000 Ha (atrás apenas de Bordeaux).

História

A vitivinicutura foi introduzida no Rhône pelos romanos, por volta do século I, mas existem indícios que os gregos já cultivavam a vinha na parte sul do vale, próxima ao Mediterrâneo, desde o século IV a.C.

Com a queda do Império Romano houve uma interrupção no desenvolvimento do vinhedo do Rhône que só voltou a prosperar no século XIV com a mudança da corte papal de Roma para Avignon (em 1309), trazendo muita riqueza a região e expandindo muito a área cultivada. Mas no fim do século XIX, com a chegada da Filoxera na região, muito vinhedos do vale foram dizimados. No esforço coletivo para “recriar” o vinhedo após a descoberta da solução para a praga surgiram as cooperativas, ainda muito presentes atualmente (sobretudo no sul).

Com o renascimento do vinhedo no Rhône surge a figura do barão Pierre Le Roy de Boiseaumarié (1890-1967), herói da Primeira Guerra Mundial e depois vinhateiro por casamento em Chateauneuf-du-Pape, liderando a luta pelo reconhecimento dessa região como denominação de origem, o que ocorreu por decreto em 1933. A partir daí, o acesso ao status de AOC (Appelation d’Origine Controlée) se constituiu em motivação coletiva para a melhora consistente dos vinhos de todo o Vale do Rhône, e houve o surgimento progressivo das AOCs atuais.

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O Vale do Rhône é dividido em Norte (ou Rhône Septentrional em francês) e Sul (Rhône Méridional), com características geográficas muito distintas entre si. Tais características resultam numa variedade de diferentes terroirs que, em última análise, são responsáveis pela multiplicidade de estilos dos vinhos do Rhône.

Atualmente, o Rhône Norte possui 8 Denominações de Origem, enquanto o Rhône Sul possui 15. Cada uma delas possui regulamentação própria no que diz respeito à delimitação da área de vinhedo, variedades permitidas, técnicas vitivinícolas utilizadas, grau alcoólico mínimo, entre outras especificações técnicas… Existe também a denominação “genérica” Côtes du Rhône, que abrange áreas em ambas as partes do vale.

Côtes du Rhône AOC

Cerca de 50% dos vinhos produzidos na região se enquadram na AOC Côtes du Rhône, que cobre áreas de vinhedo tanto ao norte quanto ao sul do vale. É considerada uma denominação “de entrada”, regras não tão estritas quanto as outras denominações. Geralmente é usada apenas para vinhos que não conseguem preencher os requisitos de qualidade para serem classificados em outras denominações de maior prestígio (e com maiores preços).

Essa AOC também é muito usada por négociants que compram uvas à granel de diversas regiões e produtores do Vale do Rhône, vinificam e engarrafam o vinho, e distribuem em escala industrial. Dessa forma, os vinhos da AOC Côtes du Rhône são, sem dúvida, os mais comuns e conhecidos vinhos de todo o Rhône.

Em geral, são blends baseados na Grenache ou Syrah, com no mínimo 11% de álcool. Mas podem ser utilizadas qualquer uma das 21 cepas autorizadas. Brancos e rosés também são produzidos, embora mais raros. Normalmente são vinhos frescos e fáceis de beber, perfeitos para o dia-a-dia.

Vinhos um pouco mais complexos, com menor rendimento e ligeiramente mais alcoólicos podem utilizar o nome de um das 18 “vilas” autorizadas, sendo então classificados como Côtes du Rhône Villages AOC: Cairanne, Visan, Puymeras, Séguret, Saint-Gervais, Valréas, Vinsobres, Roaix, Sablet, Rochegude, Chusclan, Rousset-les-Vignes, Saint-Pantaléon-les-Vignes, Saint-Maurice-sur-Eygues, Bagnols-sur-Ceze, Laudun, Massif d’Uchaux, Plan de Dieu.

O Rhône Norte

north-rhone-mapO Rhône Norte, ou Rhône Setentrional, se estende por uma estreita faixa de 70km entre as cidades de Vienne e Valence. Tem uma área menor que a da Côte de Beaune, na Borgonha, é responsável por apenas cerca de 5% da produção total de vinhos do Vale do Rhône.

Nas últimas décadas ganhou “estatura” comparável à Bordeaux e Borgonha, principalmente graças a alta qualidade dos vinhos da Côte-Rôtie e de Hermitage, com preços muitas vezes equivalentes.

Os vinhedos da parte norte do vale se agrupam próximos ao rio, nas encostas íngremes de solo granítico, em terraços, para obter a melhor exposição solar. O clima é do tipo continental, com invernos frios e verões bem quentes, mas consideravelmente mais fresco que a região meridional, sendo “temperado” pela constante neblina das manhãs.

A uva que reina absoluta no norte do Rhône é a Syrah. Autóctone da região, não é uma versão tão madura e vigorosa quanto a Shiraz australiana mas é, sem dúvida, a de buquê mais exótico e elegante, expressando perfeitamente o caráter particular de cada denominação. Faz companhia à Syrah as brancas Viognier, Marsanne e Roussane.

O Rhône Norte possui 8 Crus, de alta reputação:

Côte-Rôtie AOC

Com cerca de 260 ha de vinhas em terraços íngremes na face ocidental do rio, a Côte-Rôtie produz vinhos de altíssima qualidade e de grande prestígio. 80% da produção é de vinhos tintos de Syrah, na chamada Côte-Brune. Na Côte-Blonde predomina a Viognier, usada em cortes de até 20% para equilibrar os tintos da região (prática cada vez mais rara). O grande produtor da Côte-Rôtie é, sem dúvida, E. Guigal com vinhos magníficos (e caros!).

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Ao sul de Côte-Rôtie fica a pequena denominação de Condrieu, com aproximadamente 160ha plantados com a aromática e frágil Viognier, produzindo vinhos brancos suntuosos e elegantes.

Château-Grillet AOC

Encravada dentro do território de Condrieu, o Château-Grillet é uma das menores denominações da França, com 3,8ha de Viognier pertencentes a François Pinault, também dono do Château Latour, em Pauillac. Os vinhos são exuberantes, caros e aptos ao envelhecimento.

Saint-Joseph AOC

É a segunda maior denominação do Rhône, com pouco mais de 920ha, se extendendo do sul de Condrieu até Cornas (por aproximadamente 60km), pela margem ocidental do Rhône. Produz tintos exclusivamente de Syrah e brancos de Marsanne e Roussane. Pelas regras da denominação, é permitido adição de até 10% das uvas brancas ao vinho tinto.

Originalmente um grupo de 6 comunas (lideradas por Mauves e Tournon mais ao sul), expandiu gradualmente sua área para as atuais 26. O resultado foi alguns vinhos muito leves e sem complexidade. As comunas originais, no entanto, permanecem como indicativo de qualidade, e os melhores produtores fazem belos vinhos.

Hermitage AOC

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Sem dúvida, Hermitage é a AOC de maior prestígio do Rhône Setentrional. Com apenas 136ha de vinhas, situa-se na face sudoeste do morro que se eleva sobre a cidade de Tain l’Hermitage, na margem leste do Rhône, e produz alguns dos mais belos vinhos da França (comparados aos grande Bordeaux e Borgonhas).

A lenda conta que no século XIII, ao retornar ferido de uma cruzada, um cavaleiro construiu uma pequena capela no topo da colina e passou a viver ali como eremita (ermite, em francês), aproveitando-se do excelente vinho já produzido na região. Os vinhos locais ganharam fama no reinado de Luís XIII, que se apaixonou pelo vinho numa visita à região, e no século XIX muitos produtores de Bordeaux adicionavam o Hermitage para “melhorar” seus vinhos (prática chamada “hermitager“).

Cerca de 80% dos vinho de Hermitage são tintos produzidos exclusivamente com a uva Syrah, sendo considerados a mais perfeita expressão dessa casta. Os mais leves e aromáticos são provenientes dos climats mais elevados, ao lado da pequena e histórica capela (hoje propriedade do negociante Paul Jaboulet Âiné, produtor do célebre “La Chapelle“). Um quinto da produção de Hermitage é de vinhos brancos das uvas Marsanne e Roussane, incrivelmente elegantes e longevos. E há ainda uma minúscula quantidade do lendário e longevo vin de paille (vinho de palha), elaborado com uvas tradicionalmente desidratadas em esteiras de palha.

Ao lado de Paul Jaboulet Âiné, a denominação é dominada por 3 outros grandes produtores, J.L. Chave, Chapoutier e Delas, e pela cooperativa Cave de Tain. Todos, felizmente, comprometidos com a imensa qualidade dos vinhos de Hermitage.

Crozes-Hermitage AOC

Situada ao redor da colina de Hermitage, extendendo-se por quase 16km tanto ao norte quanto ao sul de Tain, está a denominação Crozes-Hermitage. Com cerca de 1500ha de vinhas plantadas em encostas mais suaves (e “mecanizáveis”), seus vinhos são menos complexos e menos longevos que seu famoso vizinho (embora sejam produzidos com as mesmas uvas).

Após a expansão de sua área houve um período de declínio de qualidade, e consequentemente de prestígio, de seus vinhos. Mas isso vem se revertendo graças à novos negociantes, como Tardieu Laurent, e a Cooperativa de Tain (que também produz boa parte dos vinhos dessa denominação) .

Cornas AOC

syrahNa margem oeste do Rhône, logo abaixo de St-Joseph, encontra-se Cornas com cerca de 110ha de Syrah plantados em terraços graníticos com face sudeste. Seus vinhos são intensos e “mais rústicos” que os tintos de Hermitage, com taninos potentes e que necessitam de alguma guarda para “amansá-los” (tradicionalmente, entre 5 e 6 anos). Mas produtores mais novos têm elaborado vinhos mais modernos, frutados e para consumo precoce.

Saint-Péray AOC

Pequena denominação de 52ha, em frente à cidade de Valence, Saint-Péray produz apenas vinhos brancos (com as uvas Marsanne e Roussane) tranquilos e espumantes. Os espumantes correspondem a cerca de 70% da produção, e são chamados Mousseux. São produzidos pelo “método tradicional” (com segunda fermentação na garrafa) e são, em geral, brut. Já os vinhos tranquilos são sempre secos, encorpados e florais, bons para consumo precoce.

 

Outras Denominações do Norte do Rhône

Ainda na região geográfica do Rhône Norte, mas ao leste, às margens do rio Drôme, se encontram quatro denominações bastante diferentes da “tradicionais” denominações do Rhône Norte, com vinhos mais semelhantes, em estilo, aos da Provence: Clairette de Die AOC e Crémant de Die AOC (que produzem espumantes elaborados com Muscat Blanc e Clairette), e Coteaux de Die AOC (brancos tranquilos e secos com a uva Clairette) e Châtillon-en-Diois AOC (vinhos tranquilos, brancos, tintos e rosés – estes últimos com Gamay, Pinot Noir e Syrah).

 

 


 

Em breve, a continuação deste post… (parte 2 – Rhône Sul)