
O Brunello di Montalcino é um dos mais famosos vinhos da Itália e do mundo. Nas últimas décadas vem crescendo em fama e em venda, sem perder a qualidade. Foi graças a esse vinho que a pequena comuna de Montalcino, na Toscana, encontrou seu lugar no mapa da Itália e fez fortuna para os grandes produtores de Sangiovese de suas encostas ensolaradas.
A safra 2010, lançada no mercado em 2015, foi considerada uma das melhores safras dos últimos anos tanto pelos produtores quanto pelos críticos. A revista Wine Spectator conferiu à safra 98 pontos (de um total de 100) e a classificou como “Espetacular”. O segredo, segundo os produtores, foi o clima do final de verão perfeito para a maturação ideal da Sangiovese.
“Foi uma época perfeita para o cultivo, relativamente quente durante a fase de maturação, e com ampla diferença de temperatura entre dia e noite, o que nos permitiu esperar e obter a melhor maturação fenólica jamais alcançada em nossa propriedade” diz Francesco Ripaccioli, o jovem enólogo da histórica Canalicchio di Sopra e vice-presidente do Consorzio Brunello di Montalcino.
Devido às diferentes altitudes dos vinhedos em Montalcino (que variam de 100 a 600m acima do nível do mar), com algumas diferenças na exposição solar, na temperatura média e na quantidade de chuvas, as condições de crescimento e de maturação variam bastante. Por isso é sempre um desafio generalizar qualquer safra em Montalcino. No entanto, o que se observa desde o lançamento dos vinhos da safra 2010 é uma consistente qualidade na grande maioria dos produtores.
Dessa forma, graças à esse conjunto de condições ideais para o cultivo e a colheita em 2010, os Brunellos desse ano exibem grande intensidade de fruta madura, muito frescor e boa estrutura tânica. Os melhores exemplares, dos grandes produtores, devem envelhecer muito bem nos próximos 15 à 20 anos.
Degustando…
Assim que soube que a promissora safra de 2010 tinha, de fato, produzido maravilhosos Brunellos di Montalcino, fiquei ansioso para degustar um deles.
A oportunidade surgiu ainda ano passado, primeiro ano de comercialização desses deliciosos tintos toscanos (por lei da DOCG, o Brunellos só podem chegar ao mercado após 5 anos). A experiência não poderia ter sido melhor: um ótimo vinho, de um produtor consagrado.
O vinho degustado foi o Talenti Brunello di Montalcino 2010, da Azienda Agricola Talenti, que ganhou 95 pontos de Robert Parker.
A Talenti foi fundada em 1980 por Pierluigi Talenti e possui 21ha de vinhedos, sendo 16ha destinados ao cultivo da Sangiovese. São localizados nas colinas do sul de Montalcino, em altitudes de 220 a 400m de altitude, onde o solo é argilo-arenoso com rochas friáveis, favorecendo excelente drenagem. As vinhas possuem 20 anos de idade e as uvas são colhidas manualmente, maceradas e fermentadas em tanques de inox por 20-25 dias, à temperatura controlada de 24-26ºC. O vinho produzido é maturado por 30 meses em barris de carvalho francês (60%) e da Eslavônia (40%). Depois de engarrafados, permanecem ainda 12 meses em garrafa.
O resultado é um vinho de cor rubi intensa e aromas de frutas vermelhas, especiarias, cedro, tabaco e baunilha. Na boca tem grande intensidade de fruta e boa estrutura, com taninos moderados e macios. Possui a corpo médio, alta acidez e álcool bem integrado, deixando o conjunto é harmônico e a boca aveludada. Muito gastronômico, como de praxe nos grandes vinhos italianos, acompanhou muito bem um prato de costela bovina.
Certamente ainda é um vinho novo, com estrutura e potencial para envelhecer muito bem por pelo menos mais 10 anos. Mas graças à fruta e ao bom equilíbrio, já é bastante acessível em tenra idade. Recomendo!

Foi nesse período que uma tal Madame Clicquot-Ponsardin se tornou viúva (veuve, em francês) e assumiu o controle de uma das mais importantes Maisons da região de Champagne. Com ajuda de seu mestre de cave, Anton von Müller, desenvolveu a técnica de remouage que consiste em encaixar as garrafas pelo gargalo nas pupitres (cavaletes especiais) aplicando rotações periódicas nas garrafas e inclinações progressivas do pupitre, até que fiquem com o gargalo para baixo (sur pointe) e os sedimentos, ou “borras” (os restos de leveduras mortas após a segunda fermentação), se acumulem no gargalo da garrafa. Esse processo pode levar meses e, ao final, o gargalo é congelado, a tampa da garrafa é aberta e os sedimentos são expelido por pressão (d
Ano passado tive o privilégio de conhecer Reims e visitar as caves de uma das mais tradicionais Maisons de Champagne, a Taittinger. Toda a linha de deliciosos champagnes, dos Vintages (safrados) ao fabuloso Comte de Champagne, é espetacular e prima pela elegância e complexidade. Mas é justamente o champagne “de entrada” da casa, o Taittinger Brut Réserve, que na minha opinião destaca a Maison entre as dezenas de vizinhas. Produzido com 40% de Chardonnay e 60% de Pinot Noir e Pinot Meunier, passa no mínimo 3 anos maturando nas caves em contato com as leveduras (sur lies) e mostra consistência em aromas e em qualidade, ano após ano.
Até o século XVII, o surgimento de bolhas nos vinhos era considerado um defeito. Em algumas regiões, notadamente a de Champagne (no nordeste da França), o outono frio frequentemente interrompia a atividade das leveduras deixando parte do açúcar não-fermentado. Ao ser engarrafado nesse estado, o vinho transformava-se em uma bomba relógio: quando chegava a primavera e as temperaturas se elevavam, as leveduras “dormentes” retomavam a fermentação, produzindo gás carbônico e gerando pressão nas garrafas. Muitas explodiam na cave, provocando uma reação em cadeia, e levando à perda de boa parte da produção.
Cansados de perder litros de vinhos, em 1668 a Abadia de Hautvillers, em Champagne, incumbiu, o monge beneditino Dom Pérignon, de descobrir como evitar as borbulhas. Erroneamente creditado como o “inventor do Champagne”, Dom Pérignon na verdade buscou impedir a refermentação do vinho na garrafa. Trabalhou arduamente para elevar a qualidade e o prestígio dos vinhos da região e aperfeiçoou a técnica do corte, permitindo elaborar cuvées de champagne.